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segunda-feira, outubro 02, 2006

Pássaros na janela/Tereza




Eles sempre estiveram lá
eu não ouvia.
A calmaria nunca fez parte de mim,
Até acontecer o despertamento
Você tem parte nisso.
Hoje eles cantam na minha janela
Eu os ouço e assim também acontece com o cicio suave.


Caso pluvioso

A chuva me irritava. Até que um dia
descobri que Maria é que chovia.
A chuva era Maria.E cada pingo
de Maria ensopava o meu domingo.
E meus ossos molhando, me deixava
como terra que a chuva lavra e lava.
Eu era todo barro, sem verdura...
Maria, chuvosíssima criatura!
Ela chovia em mim, em cada gesto,
pensamento, desejo, sono, e o resto.
Era chuva fininha e chuva grossa,
matinal e noturna, ativa...Nossa!
Não me chovas, Maria, mais que o justo
chuvisco de um momento, apenas susto.
Não me inundes de teu líquido plasma,
não sejas tão aquático fantasma!
Eu lhe dizia em vão - pois que Maria
quanto mais eu rogava, mais chovia.
E chuveirando atroz em meu caminho,
o deixava banhado em triste vinho,
que não aquece, pois água de chuva
mosto é de cinza, não de boa uva.
Chuvadeira Maria, chuvadonha,
chuvinhenta, chuvil, pluvimedonha!
Eu lhe gritava: Pára! e ela chovendo,
poças dágua gelada ia tecendo.
Choveu tanto Maria em minha casa
que a correnteza forte criou asa
e um rio se formou, ou mar, não sei,
sei apenas que nele me afundei.
E quanto mais as ondas me levavam,
as fontes de Maria mais chuvavam,
de sorte que com pouco, e sem recurso,
as coisas se lançaram no seu curso,
e eis o mundo molhado e sovertido
sob aquele sinistro e atro chuvido.
Os seres mais estranhos se juntando
na mesma aquosa pasta iam clamando
contra essa chuva estúpida e mortal
catarata (jamais houve outra igual).
Anti-petendam cânticos se ouviram.
Que nada! As cordas d'água mais deliram,
e Maria, torneira desatada,
mais se dilata em sua chuvarada.
Os navios soçobram. Continentes
já submergem com todos os viventes,
e Maria chovendo. Eis que a essa altura,
delida e fluida a humana enfibratura,
e a terra não sofrendo tal chuvência,
comoveu-se a Divina Providência,
e Deus, piedoso e enérgico, bradou:
Não chove mais, Maria! - e ela parou.

(Carlos Drummond de Andrade)

2 comentários:

Roby disse...

Déia querida...
Amo o canto dos pássaros..
Aqui na Suiça eu vivi quase 10 anos, numa rua chamada, Vogelsanstrasse. ( estrada dos pássaros).
Este condomínio ficava ao lado de uma floresta enormeeeeeeeee...
E todas manhãs eu e minha família acordava com o cantarolar de centenas de pássaros..
Déia do céu...era uma zoeira..rs
Uma cantoria que as vezes chegava ser insuprtável..rsrs
Mas era lindo igual!
Era nosso despertador..rs
*
Bjus amada, boa semana procê.

milton toshiba disse...

Déia acho que deve ser micro quegrado, a última vez foi isso...mandei email p/ ela e nem me respondeu...se bem que era uma dúvida ..hehehe

logo ela volta, se deuas quiser deve ser o micro e nada demais...

Boa semana querida

Beijos

 
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