Seguidores

terça-feira, outubro 14, 2014

Ele voltou

Boa tarde.
Tem determinadas coisas que sou mesmo insistente, e com ele é assim, não desisto de reencontrá-lo, 
de ler, reler, de vê-lo , revê-lo, de sentir, tornar a sentir, de imaginar, de sonhar,de salivar.
Hoje meu coração parecia que ia "sair pela boca" quando recebi um email que espero a muito,  muito tempo e ele veio recheado de poesia , de doces e beijos.
Ahhh Poeta ...

PARENTESES
 
Tive em mim uma ideia de repentina perda. Senti uma inexplicável e incontida calma. Ferrenha, mas frágil. Senti-me ser de pedra. De lama. De arrogante incompreensão. Assim. Justamente assim.
Talvez estivesse fazendo alarde por nada, mas minha fase era essa: ser de pedra. E minha perda: uma mentira minha. Menti-me por muito tempo que ela não me fazia falta. Carreguei-me de desculpas esfarrapadas para não revê-la, não reeditá-la, não encontrá-la. Nem nas letras, nem na fala.
Abro parênteses.
Em verdade queria esconder minha fragilidade. Esconder a incessante armadilha de viver sozinho. Ou não falei que aos poucos fui sentindo o esmagamento da minha personalidade? Ou não falei de clausuras e ostras? Ou não falei que apenas esperava a inexorabilidade do tempo? E ela me chegou de maneira contundente na mais dilacerante dor (que é se sentir perdido no escuro).
          Eu falava de tudo, mas queria mesmo era falar da sua beleza. Queria dizer coisas compreensíveis. Também as incompreensíveis. Queria falar de beijos que se pedem. De vontades que se perdem. Falar de viagens e telefones. queria revelar-me. Queria vê-la. Queria revê-la. E a revi. Em busca de Blogspot. E a revi com outro nome. Com novo sobrenome.
Sim. Queria revê-la. Reeditá-la. Ainda que isso me custasse a inevitável análise crítica textual. Dos meus textos. Das minhas frases. Das minhas fases. Dos meus quase(s): quase poeta, quase doutor, quase amante, quase viajante (que para São Paulo tem ônibus de hora em hora).
Mas não me contaram que tudo tem um preço. Não me contaram que a vida não é bussola. Não me contaram que mitos não podem ser alcançados pelos simples. Não me explicaram que vida adulta não é um jogo.  A vida pode ser apenas um sol que desperta em meio a um burburinho e mostra a casa vazia. A vida pode ser uma menina flor.
Contaram apenas que eu tinha chance. Que eu tinha toda a chance do mundo. Que o mundo estava nas mãos de quem faz diferença. Que estava nas minhas mãos. Fui enganado pelos que me contaram. E pelos que não me contaram.
As coisas que sei, fui aprendendo. No dia a dia. Aos poucos. Quase que no “faz de conta”. Aprendi a tirar som do silêncio. Que o silêncio causa dor. Que cair da bicicleta também dói. Aprendi que o que sufoca causa espanto. Que a liberdade não se encontra em todo canto, a ponto de deixar-me pistas para as minhas variadas conquistas: brasileiro, poeta, jovem, homem, velho, ninguém, doce.
A idéia que tive ficou-me impressa. Como tatuagem. Eu falava comigo. Carne explicando à carne. Eu falava contigo. êxtase da vez. Pedra falando à flor. Êxtase da voz.
Por isso aquele acessar repentino ao e-mail tão esquecido (por tanto tempo) quanto lembrado. E o inesperado/esperado reencontro. Efeitos especiais: Ribombar de trovões. Cavalaria pelas pradarias. Nuvens cantando. Espadas desembainhadas. Certeza e reticência. Colisões. Intempéries. Polpa de estrela. Abraço da lavadeira. 
Minha ideia era fazer acontecer. Rever velhas e doces cicatrizes. Lembrar teclas mágicas de computadores antigos. Revisitar luas. Tons de artérias que queimavam. Rosas e dálias plantadas sem preocupações. Palavras despudoradas. Lidas. Enviadas. Só havia a urgência do aqui e do agora. Nada de pensar no “depois”. Vontades expressas do “durante”. Concordando com o relógio. De acordo com as vinte e duas, vinte três horas de cada dia. Hummmm, acho que o dia tem vinte e quatro horas...
E veio a escaramuça. E vieram os carinhos. As formas compreensíveis de tratamento. As procuras e os caminhos, as reações pelas doces poesias, as respostas da musa-poeta. Faltaram os toques, o consentir e o permitir. Coisas do momento e do sempre.
          Ainda volto àqueles tempos. Nem que seja somente para enviar doces. Zilhões de doces. Suculentos, certamente. Ilícitos? Com todo o prazer.          

        Agora a vontade de sair batendo portas, escancarando janelas, pulando e jogando o gato para o alto. Porque ela voltou. A menina flor me encontrou.
          São outros os tempos, Moça. Mas saiba que eu AINDA te gosto.
Fecho parênteses...

...Moça...

...Eu te beijo.

Vicente

Nenhum comentário:

 
//