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terça-feira, outubro 14, 2014

Meu poeta

DESCOBRIR-SE

descobrir-se é o mesmo que não mentir.
o que ele queria mesmo era sentir-se despido
nu da alma para baixo
nu da cintura para cima
e perceber que poderia por fim a todos os engodos
que a vida lhe armara.
pensou que o ato de partir lhe abriria novos horizontes
belos horizontes
poentes avermelhados logo após os nasceres do sol.
ainda queria despir-se das máscaras
de todas as máscaras que lhe formavam muralhas
das muralhas que lhe desfiguravam a forma
das formas que lhe muravam as máscaras
e pelo visto ele não queria mais representar
mas ainda se lembrava de todos os papéis:
os principais e os coadjuvantes.
todas aquelas pessoas à sua volta
vendo-o nos trapézios
nas cordas bambas
nas quedas livres
como hipócritas espectadoras
esperando dele o melhor desempenho
a melhor interpretação
a melhor caminhada
o melhor equilíbrio
a mais convincente encenação.
mas ele havia se cansado
resolvera desinventar-se
descontruir-se
desenclausurar-se.
obviamente ninguém o reconheceria
agora
que estava nu
mas viveria
um 
dia
de
cada
vez.

chegara a abrir a porta da frente
chegara a se apresentar ao primeiro que encontrou
por pouco não se perdeu
mas encontrou aquele lugar distante:
uma caverna sorrateira
uma bifurcação temporal
uma quase faca afiada.
e assim resolveu partir para lá
onde ninguém o conhecia
por isso foi embora
e deixou para trás
todas as suas peles
todas as suas máscaras
todas as suas vidas
todas as suas verdades
suas ostras
suas postas
suas estacas.
zero
recomeçaria do zero
tentaria recomeçar
do início.
sentiu seu coração parindo
novas saudades
[novas reentrâncias]
que todos chamam de...
agonia
mas aí
já era tarde.

ele finalmente se rendeu ao inevitável
como a perseguir resultados
mais que prováveis
por isso resolveu não mentir mais:
sim
continua poeta
sim
continua amando a musa
sem medos
(sem tantos medos)
claro.
[eu].

E eu deliro ...

SILÊNCIO EXTERMINADO

 
o silêncio será exterminado
a quietude será castigada
toda quietude tem sua hora de explodir
deixe então para trás o passado tão quieto
(eu deixarei)
deixe e diga o quanto saboreia esse momento
compartilhe comigo as longas caminhadas
as longas histórias de leveza e de encanto.
 
não me interessa quem já passou em sua vida
quem está passando
eu quero é ficar nela
ficar na sua vida e revivê-la
fazer você sentir vontade de revê-la
de sentir que é estrela
eu quero é fazer
recuar seus medos das desilusões
e não ter medo de dizer que estou em sua vida.

casar não é para todos
mas saiba que existem
sim
loucos por você.
 
entre em cena num supetão
não só como circunstante expectadora
mas como atriz principal do primeiro ato da
liberdade e da libertação.
 
de onde cheguei?
quando?
como?
aplausos
talvez
nada mais.

sim
cantaremos juntos
para esquecer as desilusões
e escolheremos os pequeninos
grãos de areia
que comporão nossos sonhos.
outra vez
MAS de antemão eu aviso:
não bastam os beijos.

doces...
suculentos...
ilícitos...

Vicente

Quero mais ...

EFEITOS DA EMBRIAGUEZ
minhas veias fervem
meu sangue escorre em meu decote
(se eu os tivesse)
se eu pudesse empregar o verbo
nesse tempo e nesse modo.
são os efeitos amigos
do idílio descoberto entre poetas
entre poesias e "anjas"
recomeçado na embriaguez das palavras
e que a natureza se encarregou de duplicar.
florescem ainda mais os textos
que se plantam em meio ao caos do querer
caminhos
distantes
ruas e eu
somente um eu
misturado a essa loucura desenfreada
dos murmúrios que você me
proporciona
com seus martelos de destravar silêncios.

eu falo que são boas lembranças
você fala que não parecem lembranças
então refaço minhas impressões:
são esperanças
não bebo mais a doce bebida da poesia 
a me embriagar
mas ainda me embriago
com a sua imagem
esteja onde estiver:
de viagem
de ida
de volta
da janela do décimo andar
ou daqui
dessas terras das alterosas.
e as taças ainda nem estão vazias...

Doces

Vicente

Matando Saudades




Matando saudades, de tudo, de você, deles, delas, dos doces,suculentos e ilícitos ...

FANTASIA IMPROVÁVEL
havia em mim naquele tempo
uma fantasia mais que improvável
que me fazia assumir o papel do real
MAS eu nos sabíamos irreais
estando em meus próprios limites
meus devaneios
minhas avassaladoras prioridades
era remetido a incontestáveis diagramas do desejo
que me impulsionavam a ir em frente
a querer estar em frente
às suas lingeries
e ouvir-lhes o farfalhar
que afagasse o carpete bem cuidado.
sempre quis a delícia 
do demorado apreciar de (suas) curvas
espelhadas
pelas paredes
pelo teto
repletas dos melhores
momentos para o homem.

em minhas delícias 
você era (e é)
a um só tempo: poesia
e reconforto.

 
por isso
o toque para a viagem
que jamais se realizou
ainda assim havia o sorriso
(mesmo com o coração a doer)
que me ligasse a outro sorriso de flor.

cara amiga
o tempo não passou
hoje é o mesmo ontem de sempre
apenas não sou mais poeta
MAS ainda lhe mando
doces.
Vicente

Ele voltou

Boa tarde.
Tem determinadas coisas que sou mesmo insistente, e com ele é assim, não desisto de reencontrá-lo, 
de ler, reler, de vê-lo , revê-lo, de sentir, tornar a sentir, de imaginar, de sonhar,de salivar.
Hoje meu coração parecia que ia "sair pela boca" quando recebi um email que espero a muito,  muito tempo e ele veio recheado de poesia , de doces e beijos.
Ahhh Poeta ...

PARENTESES
 
Tive em mim uma ideia de repentina perda. Senti uma inexplicável e incontida calma. Ferrenha, mas frágil. Senti-me ser de pedra. De lama. De arrogante incompreensão. Assim. Justamente assim.
Talvez estivesse fazendo alarde por nada, mas minha fase era essa: ser de pedra. E minha perda: uma mentira minha. Menti-me por muito tempo que ela não me fazia falta. Carreguei-me de desculpas esfarrapadas para não revê-la, não reeditá-la, não encontrá-la. Nem nas letras, nem na fala.
Abro parênteses.
Em verdade queria esconder minha fragilidade. Esconder a incessante armadilha de viver sozinho. Ou não falei que aos poucos fui sentindo o esmagamento da minha personalidade? Ou não falei de clausuras e ostras? Ou não falei que apenas esperava a inexorabilidade do tempo? E ela me chegou de maneira contundente na mais dilacerante dor (que é se sentir perdido no escuro).
          Eu falava de tudo, mas queria mesmo era falar da sua beleza. Queria dizer coisas compreensíveis. Também as incompreensíveis. Queria falar de beijos que se pedem. De vontades que se perdem. Falar de viagens e telefones. queria revelar-me. Queria vê-la. Queria revê-la. E a revi. Em busca de Blogspot. E a revi com outro nome. Com novo sobrenome.
Sim. Queria revê-la. Reeditá-la. Ainda que isso me custasse a inevitável análise crítica textual. Dos meus textos. Das minhas frases. Das minhas fases. Dos meus quase(s): quase poeta, quase doutor, quase amante, quase viajante (que para São Paulo tem ônibus de hora em hora).
Mas não me contaram que tudo tem um preço. Não me contaram que a vida não é bussola. Não me contaram que mitos não podem ser alcançados pelos simples. Não me explicaram que vida adulta não é um jogo.  A vida pode ser apenas um sol que desperta em meio a um burburinho e mostra a casa vazia. A vida pode ser uma menina flor.
Contaram apenas que eu tinha chance. Que eu tinha toda a chance do mundo. Que o mundo estava nas mãos de quem faz diferença. Que estava nas minhas mãos. Fui enganado pelos que me contaram. E pelos que não me contaram.
As coisas que sei, fui aprendendo. No dia a dia. Aos poucos. Quase que no “faz de conta”. Aprendi a tirar som do silêncio. Que o silêncio causa dor. Que cair da bicicleta também dói. Aprendi que o que sufoca causa espanto. Que a liberdade não se encontra em todo canto, a ponto de deixar-me pistas para as minhas variadas conquistas: brasileiro, poeta, jovem, homem, velho, ninguém, doce.
A idéia que tive ficou-me impressa. Como tatuagem. Eu falava comigo. Carne explicando à carne. Eu falava contigo. êxtase da vez. Pedra falando à flor. Êxtase da voz.
Por isso aquele acessar repentino ao e-mail tão esquecido (por tanto tempo) quanto lembrado. E o inesperado/esperado reencontro. Efeitos especiais: Ribombar de trovões. Cavalaria pelas pradarias. Nuvens cantando. Espadas desembainhadas. Certeza e reticência. Colisões. Intempéries. Polpa de estrela. Abraço da lavadeira. 
Minha ideia era fazer acontecer. Rever velhas e doces cicatrizes. Lembrar teclas mágicas de computadores antigos. Revisitar luas. Tons de artérias que queimavam. Rosas e dálias plantadas sem preocupações. Palavras despudoradas. Lidas. Enviadas. Só havia a urgência do aqui e do agora. Nada de pensar no “depois”. Vontades expressas do “durante”. Concordando com o relógio. De acordo com as vinte e duas, vinte três horas de cada dia. Hummmm, acho que o dia tem vinte e quatro horas...
E veio a escaramuça. E vieram os carinhos. As formas compreensíveis de tratamento. As procuras e os caminhos, as reações pelas doces poesias, as respostas da musa-poeta. Faltaram os toques, o consentir e o permitir. Coisas do momento e do sempre.
          Ainda volto àqueles tempos. Nem que seja somente para enviar doces. Zilhões de doces. Suculentos, certamente. Ilícitos? Com todo o prazer.          

        Agora a vontade de sair batendo portas, escancarando janelas, pulando e jogando o gato para o alto. Porque ela voltou. A menina flor me encontrou.
          São outros os tempos, Moça. Mas saiba que eu AINDA te gosto.
Fecho parênteses...

...Moça...

...Eu te beijo.

Vicente
 
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